Burel vs. Feltro
Qual é, afinal, a diferença?

À primeira vista, o burel e o feltro podem parecer semelhantes. Ambos têm origem na lã, recorrem à feltragem e são reconhecidos pela sua resistência. No entanto, as diferenças técnicas, estruturais e culturais entre os dois materiais são profundas.

O burel está intimamente ligado ao território e à vida nas montanhas, em particular à Serra da Estrela. O seu processo produtivo começa com a cardação da lã, seguida da fiação e tecelagem em tear, criando uma estrutura têxtil definida. Só depois o tecido é sujeito a uma feltragem intensa, que encolhe a trama, fecha os poros e lhe confere propriedades técnicas únicas: impermeabilidade natural, elevado isolamento acústico e térmico, grande resistência mecânica e uma textura compacta, mas viva.

Esta dupla condição, tecido e posteriormente feltrado, distingue o burel.


Com corpo, memória e carácter, foi criado para resistir a condições meteorológicas exigentes e continua hoje a afirmar-se em áreas como a arquitetura de interiores, o design, a arte e o vesturário.

O feltro, por sua vez, é uma das formas mais antigas de material têxtil. Não é tecido. Resulta da compactação direta das fibras de lã através de calor, humidade e pressão. O resultado é um material não tecido, homogéneo e sem estrutura visível, valorizado pela sua versatilidade e facilidade de moldação, amplamente utilizado em artesanato, design e aplicações industriais, mas que não apresenta as características acústicas, térmicas e impermeáveis do burel. Enquanto o feltro é uniforme, o burel apresenta profundidade, tensão e identidade material.

Com corpo, memória e carácter, o burel nasceu pelas mãos dos monges para resistir às condições exigentes da montanha. Hoje, na Serra da Estrela, continuamos a reinventá-lo, preservando a sua essência e levando este saber ancestral a novas formas, funções e linguagens.

Isabel Costa, CEO

Fabrics

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